domingo, 20 de dezembro de 2009

The Crying Light, Antony & The Johnsons, janeiro de 2009, meu álbum do ano.


A voz do Antony é uma maravilha, do tipo que muitos fãs de música babam em cima. É imaculada, doloridamente delicada. Se outros músicos fossem cantar essas letras que aqui aparecem de forma impressionante, talvez soassem desinteressantes e forçadas. Com o Antony elas são cantadas com a mais pungente convicção e triste sinceridade. Tudo o que você tem que fazer é ouvir.

The Crying Light é engendrado com imagens vívidas e mortíferas. Todo o álbum é impregnado com sombrios arranjos de sopro, piano e flautas. Em “Epilepsy is Dancing”, Antony pede para que você “cut me in quadrants, leave me in the corner” antes de anunciar que “it’s passing, now I’m dancing”.

A primeira metade do disco é mais amigável com “One Dove”, “Kiss My Name” e “The Crying Light”, adicionando leveza ao disco. A segunda metade é contrastante: mais despedaçada, desolada e potente.

Um piano acaricia a calmaria de “Another World” de forma suave, enquanto um protagonista define o que é partir, “I’m going to miss the birds, singing all their songs. I’m going to miss the wind, been kissing me so long”.

“Daylight and the Sun” atinge você bem na boca do estômago com o vocal de abertura, “Now I cry for daylight. Daylight and the sun”. Parece impostar toda sua demora com arranjos ferventes e de forma extremamente luminosa. Tenta mostrar que sentimentos que cortam seu coração são em vão.

“Dust And Water” é cantada a cappella. O não usar de instrumentos invoca a sensação de ser, estar exposto. É precioso e nem um pouco intencionalmente honesto. A voz de Antony tremula suavemente, “Love the coal. Love the way you're waiting. I love your kind patience. Dust and water, water and dust”.

Na faixa que encerra o álbum, “Everglade”, Antony é superado pela aceitação, “When I’m lying sweetly in my bed, the sun plays crystal with my eyes. Then I stop, my body stops crying for home. My limbs stop weeping for home”. A música cresce, antes dos violinos nos confortarem no último minuto, e então se refugia de nosso alcance.

Angustiantemente mágico.







[resenha escrita pelo usuário vessels do site www.rateyourmusic.com]

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