quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Crocodilos e robôs


Um dia ainda vou descobrir porquê a gente se emociona tanto. Ou sente tanta raiva. Ou desejamos tanto o mal - às vezes o bem. A intensidade de certas coisas ainda me assusta, mesmo com 37 anos de idade. Queria ser imune, ter um escudo, viver numa bolha, ter a pele grossa de crocodilos - quem sabe não me mudo para a Papua Nova Guiné e me transformo em um, como os jovens entre 15 e 20 anos que passam pelo absurdo ritual de virarem crocodilos. Deve haver uma razão muito séria para tudo isso. Eu queria mesmo era que Deus fosse o Isaac Asimov e a gente tivesse sido criado à imagem e semelhança de um robô. Sentiríamos nada então. O mundo não teria a beleza das artes, o mundo seria um grande domo branco e nem estrelas veríamos. Não sangraríamos, não choraríamos, não amaríamos ninguém, não comeríamos e nem defecaríamos. Seríamos isso. Eu, você, ele, ela. Robôs.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Falta

Do que você anda sentindo falta?

O ano vai acabar mais uma vez e eu vou sentir muita falta de gente que se foi da minha vida. Vou sentir falta também de momentos cada vez mais sinceros e festeiros. De dias mais frios que quentes. De cheiros que me fazem bem e me deixam feliz. Vou sentir falta de lugares ocupados na cebça por coisas muito importantes ou até mesmo das mais supérfluas, mas que me fazem um bem danado. Sentir falta de mãos que me acalmam, de ombros que molho e de olhares que me tiram do sério. Falta da leveza de amar de verdade e de sair flutuando por que assim o destino quis. Vou chorar ausências e não sentir falta de não conseguir controlar a dor. E assim 2010 vai chegar.

See you there!

domingo, 8 de novembro de 2009

My head aches...


Um domingo preguiçoso esse. Depois de afogar a tristeza em dois shows que eu adorei ter visto ontem, no Festival Planeta Terra, e ter ganho músculos doloridos por causa de uma montanha-russa e de um outro brinquedo (sim, o Festival foi no Playcenter), o dia amanheceu assim - com vontade de fazer absolutamente o mínimo possível.

Chegamos e não demorou muito para o Patrick Wolf subir ao palco. Muito carinhoso, muito feliz e muito gay, deu maior ênfase ao seu mais recente álbum, The Bachelor, e encantou a platéia pequena. Ali, bem ao lado do Castelo dos Horrores e ele cantando coisas lindas. Destaque para a violinista que depois ainda falei um 'oi' em meio aos comes e bebes enquanto Iggy Pop enchia seu palco de gente que depois não entendia que TINHA que descer. Ê povo! Mas voltando ao Patrick, foi uma delícia quando ele anunciou Bloodbeat. Só faltou Don't Say No para ser perfeito. E, na verdade verdadeira da história toda, eu queria que ele tivesse tocado o Wind In The Wires inteiro. Thank you Patrick, it was indeed a very pleasant night!

Depois tyeve o Metronomy que foi muito bacana também. Claro que berrei quando Radio ladio começou. E adorei o detalhe do círculo luminoso sobre o peito direito deles. E foi quando a chuva caiu forte e o vocalista disse que iria parar, para não nos preocuparmos. E uns 20 minutos depois parou mesmo e ele disse que poderíamos dizer aos amigos que quando o Metronomy tocou em São Paulo eles fizeram a chuva parar! E é isso que estou fazendo.

E pronto. Não vi nada de nenhuma outra atração. Sem paciência total para Primal Scream (a não se que eles resolvessem tocar o Sonic Flower Groove inteirinho!!!) ou Sonic Youth. Estava cansado e queria vir embora. E definitivamente o Ting Tings provou sua mediocridade em termos musicais e eu, de longe, na montanha-russa, até soltei um 'That's Not My Name'. Mas, pelamordedeus, que bandinha medíocre (alguém aí quer um CD deles?! O meu tá indo pro lixo...).

E quando cheguei em casa ainda assisti o penúltimo episódio do Project Runaway 06 - e dessa vez com 03 meninas na final (tá, eu sei, spoilerei :P)!

Mas é isso. Desculpa qualquer coisa. Estou cansado. Triste ainda. E feliz também.

E tudo que mais quero é dedicar esse post à minha querida Ilona Ildiko Kiss, que na sexta de manhã deixou esse planeta e foi descansar em campos verdes, debaixo de uma sombra de árvore e próximo a um pequeno playground. E eu tenho certeza que um dia a gente ainda brinca na gangorra, ou eu a empurro no balanço até ela gritar que vai sair voando...

All my love...

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Meu primeiro?


Você que tem um i-Phone ou um i-Pod Touch (meu caso) deve ficar, assim como eu, minutos infindáveis naquela lojinha de aplicativos. Isso sem contar todas as categorias que ainda estou descobrindo depois de quase dez meses com o meu. Claro que tem um monte de joguinhos que são excluídos um segundo depois de ter baixado. E tem uns aplicativos divertidos, outros interessantes e outros que são mesmo apenas para i-Phones. Descobri também que posso até usar meu Touch como telefone ligando para usuários Skype. Em outras palavras, seria esse meu primeiro celular?

[inspirado no meu post de hoje do meu fotolog /makenosense]

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Música de setembro



Pensei em esperar mais alguns dias e depois postar setembro e outubro juntos, mas vamos ao mês de setembro. Devo confessar que foi um dos meses que mais ouvi coisas tocantes, como o belíssimo disco do Bark Cat Bark ou o do Songs Of Green Pheasant - que é, na verdade, uma compilação de sobras de estúdio. Tem ainda os retornos do Prefab Sprout, Castanets e o Taken By Trees (com manobras arriscadas de Victoria Bergsman para o sucessor de um dos mais belos álbuns de 2007). O achado e boa surpresa que foi o belo álbum de Sharon Van Etten e o contundente registro de Anja Franziska Plaschg sob a alcunha de Soap & Skin. Zoot Woman voltando também com um disco ótimo. E o novo projeto de Justin Vernom, do Bon Iver, Volcano Choir - que merece ser descoberto. E por fim o ótimo álbum dos dinamarqueses do Alcoholic Faith Mission, que escreveram lá no meu mural do Facebook. Enfim, um mês e tanto.

Sem uma exata ordem de preferência, o TOP 10 do mês de setembro ficou assim:
Bark Cat Bark mathilde
Alcoholic Faith Mission 421 wythe avenue
Songs Of Green Pheasant when the weather clears - demos (06-08)
Prefab Sprout let's change the world with music
Castanets texas rose, the thaw and the beasts
Soap & Skin lovetune for vacuum
Sharon Van Etten because I was in love
Zoot Woman things are what they used to be
Volcano Choir unmap
Taken By Trees east of eden

outros que ouvi , até gostei, mas não fizeram parte do meu TOP 10: Bruna, Black Devil Disco Club, The XX, Grand Archives, Sorcerer, Jamie T, Elvis Perkins In Dearland.


domingo, 25 de outubro de 2009

Friedrich Nietzsche



Palavras mais do que certeiras em dados momentos de nossas vidas:




[...] Estar bem e feliz é uma questão de escolha e não de sorte ou mero acaso. É estar perto das pessoas que amamos, que nos fazem bem e que nos querem bem. É saber evitar tudo aquilo que nos incomoda ou faz mal,não hesitando em usar o bom senso, a maturidade obtida com experiências passadas ou mesmo nossa sensibilidade para isso. É distanciar-se de falsidade, inveja e mentiras. Evitar sentimentos corrosivos como o rancor, a raiva e as mágoas, que nos tiram noites de sono e em nada afetam as pessoas responsáveis por causá-los. É valorizar as palavras verdadeiras e os sentimentos sinceros que a nós são destinados. E saber ignorar, de forma mais fina e elegante possível, aqueles que dizem as coisas da boca para fora ou cujas palavras e caráter nunca valeram um milésimo do tempo que você perdeu ao escutá-las.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

19 de outubro

Essa é a minha data. E de mais outras pessoas que, assim como eu, são librianos. Eu não sou assim nenhum super-hiper-ultra esotérico, mas eu acabo me surpreendendo com coisas que leio sobre a personalidade dos librianos. Muitas coisas parecem escritas única e exclusivamente sobre mim. Às vezes até assusta - como 'ler' Morrissey e toda sua amargura e descrença me assustava quando moleque. E mais um ano se passou e hoje completo 37 deles. Nada muda de forma tão catártica ou assustadora, e me acho ainda um menino prestes a descobrir um monte de coisa. Mas sem dúvida o passar do tempo nos deixa mais isso ou menos aquilo, ou menos isso e mais aquilo. Já não tenho certas necessidades de um tempo atrás, já não preciso provar coisa alguma para quem quer que seja. Preciso sim é escolher melhor certas coisas, conhecer e entender perturbações que só me dizem respeito e a mais ninguém. Aceitar imposições da vida de forma mais serena, ou gritar e estourar e me sentir mal depois. Todo crescimento é válido desde que te fortaleça - e é nisso que quero, preciso, acreditar.

Happy Birthday To Me!